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Manutenção de ar condicionado torna-se ainda mais crítica pós-pandemia

A retomada da economia pós-pandemia de Covid-19 e a retirada progressiva das restrições para o funcionamento dos espaços corporativos colocaram em evidência a salubridade dos ambientes artificialmente refrigerados. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o contágio pelo novo Coronavírus pode se dar, também, por transmissão aérea, o que adiciona ainda mais responsabilidade sobre os sistemas de ar condicionado e de ventilação.

RENOVAÇÃO DE AR E TROCA DE FILTROS

Falhas na manutenção desses equipamentos podem oferecer riscos à saúde das pessoas, não somente pelo novo vírus, mas também por fungos, bactérias e poluentes.

Um dos fatores determinantes para que se garanta a qualidade do ar refrigerado é a taxa de renovação, que permite a diluição da concentração de contaminantes.

“Além das práticas habituais de manutenção e higienização, é recomendável ampliar o número de trocas de ar por hora, aumentando a quantidade de ar externo quando a instalação de ar ou ventilação permitir”, diz Marcelo Munhoz, presidente do Departamento Nacional de Qualidade do Ar Interior da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava). Segundo ele, o ideal é buscar um equilíbrio, uma vez que quanto maior for o percentual de ar exterior, maior tende a ser o consumo energético do sistema.

MANUTENÇÃO PROGRAMADA

As intervenções realizadas em sistemas de ar condicionado devem prever uma revisão geral e garantir que todos os componentes do sistema estejam limpos, operacionais, em bom estado e com vazões adequadas. Isso inclui serpentinas, bandejas de condensação, sistema de drenagem, ventiladores, gabinetes, salas de máquinas e filtros de ar. Esses últimos, aliás, devem ser analisados e substituídos, quando necessário. “Utilizar filtros de alta eficiência ajuda a garantir boa qualidade do ar, mas não é necessário chegar ao padrão Hepa (High Efficiency Particulate Arrestance). O uso de filtros F7 ou F8 (ePM1 60% e ePM1 80%) pode ser suficiente”, comenta Munhoz.

A ABNT NBR 13.971 — Sistemas de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento — Manutenção programada estabelece as principais atividades a serem executadas para manter os equipamentos de ar condicionado.

A periodicidade dos serviços é definida pelo responsável técnico do sistema de climatização. Mas há frequências mínimas de limpeza para alguns componentes listadas na Resolução 09 de 16/01/2003 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Duas normas técnicas da ABNT servem como referência para a limpeza dos dutos: a NBR 14.679:2012 — Sistemas de condicionamento de ar e ventilação — Execução de serviços de higienização, e a NBR 15.848:2010 — Sistemas de ar condicionado e ventilação – Procedimentos e requisitos relativos às atividades de construção, reformas, operação e manutenção das instalações que afetam a qualidade do ar interior.

Os procedimentos devem ser previstos no Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) elaborado por profissional habilitado. “As rotinas de análise da qualidade do ar climatizado devem ser feitas semestralmente”, destaca Munhoz, lembrando que os gestores de facilities precisam exigir das empresas responsáveis o cumprimento dos cronogramas do PMOC, sempre documentando as ações tomadas.

DISTRIBUIÇÃO DE AR

Marcelo Munhoz, da Abrava, conta que os sistemas de distribuição de ar mais populares no mundo são do tipo fluxo turbulento, projetados para que se tenha a injeção de ar tratado saindo por uma grelha ou difusor a uma velocidade normalmente alta, e a uma certa temperatura.

“Lamentavelmente, esse sistema não contribuiu para a atual conjuntura porque leva rapidamente o ar para a sala inteira. Isso significa que, se houver uma pessoa contaminada, o fluxo turbulento espalha a contaminação por todo o ambiente, ou ainda, para outros ambientes, após a aspiração pelas grelhas de retorno”, salienta Munhoz. Alternativas a essa tecnologia são os sistemas de fluxo unidirecional (laminares) e os sistemas de distribuição por deslocamento.

Além disso, novas soluções estão surgindo para melhorar a qualidade do ar interno. É o caso da aplicação de luz ultravioleta em serpentinas para combater o biofilme gerado pela alta umidade superficial, e as tecnologias IRC (Ionização Rádio Catalítica), que atuam no combate de vírus, bactérias, compostos orgânicos voláteis (COV) e odores internos. "Esses recursos, contudo, não devem ser utilizados isoladamente, e sim em conjunto com o sistema de ar condicionado projetado e dimensionado conforme as normas”, ressalta Munhoz.

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COLABORAÇÃO TÉCNICA

Marcelo Munhoz – Presidente do Departamento Nacional de Qualidade do Ar Interior (Qualindoor) da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).

Fonte: AECweb