Por Gabriela Giacomini,

Dentre os problemas encontrados com frequência em sistemas de refrigeração, um dos fatos mais comuns e que merecem uma atenção maior é o vazamento de fluidos – e isso não acontece apenas em sistemas de pequeno porte, mas nos grandes equipamentos utilizados comercialmente também, como nos supermercados, restaurantes e bares, açougues e peixarias, por exemplo.

Não é suposição, e sim uma constatação comprovada na prática a partir de análises e, inclusive, estudos acadêmicos. A K11 investigou algumas pesquisas sobre esse assunto e a ideia desse artigo é informar e alertar sobre quais são esses pontos dentro do sistema com maior ocorrência de vazamento, assim como orientar os leitores a identificar e solucionar essas falhas que são mais comuns do que você imagina.

Para isso, os dados que iremos divulgar a seguir tem como fonte os estudos “Avaliação das emissões de HCFC-22 dos sistemas de Refrigeração Comercial em supermercados”, desenvolvido pelo Engenheiro Eduardo Linzmayer, professor do Instituto Mauá de Tecnologia; e o estrangeiro “An investigation of refrigerant leakage in commercial refrigeration” (“Uma investigação sobre vazamento de fluidos em Refrigeração Comercial”, tradução livre), dos autores Christina Francis, Graeme Maidment e Gareth Davies para o International Journal of Refrigeration.

Vazamento X Economia X Aquecimento Global

É curioso como as consequências dos vazamentos operam em larga escala e afetam a cada pessoa particularmente e como um todo também, tomando proporções a nível mundial.

Isso porque, além do gasto financeiro com a manutenção corretiva, exigindo repetidas recargas a longo prazo, cada vazamento impacta negativamente o meio ambiente, e isso acontece por duas vias:

  • Em primeiro lugar pelos altos custos dos fluidos desperdiçados em combinação ao aumento do consumo de energia do sistema com pouca carga e a manutenção corretiva – resultando em desperdício de dinheiro.
  • E de outro lado pelo efeito direto na questão do Aquecimento Global por causa da emissão de gases – que são nocivos à Camada de Ozônio.

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Um dos dados mais alarmantes projetados pelos estudos citados acima e que serão apresentados a seguir é que a contribuição dos gases com flúor para o aquecimento global pode saltar de 1,3% (2004) para 7,9% até 2050 em todo o mundo. Seria um aumento de mais de 500% em menos de 50 anos! E muitos desses gases são os fluidos utilizados nos sistemas de refrigeração, climatização, ventilação e aquecimento, ou seja, os equipamentos do setor de HVAC-R.

No entanto, considerando que essa projeção foi feita em 2011, vale trazermos dados mais recentes como contraponto: segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, já reduzimos em 16,6% o consumo de HCFCs em 2015 e, até o final de 2021, a previsão é de que se possa reduzir 51,6%. Ou seja, se agirmos corretamente, tudo indica que ainda há tempo de darmos a volta por cima!

Afinal, as vítimas do aquecimento global são o meio ambiente e nós mesmos, como habitantes, consumidores e profissionais que trabalham nesse mercado.

De olho nas estimativas acima, podemos dizer que é possível melhorar esse cenário através de CONHECIMENTO e PRÁTICA. Vamos começar identificando quais os pontos mais comuns de vazamento nos sistemas de refrigeração comercial?

Descrição do estudo 1 – Objetivos e Resultados

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Na “Avaliação das emissões de HCFC-22 dos sistemas de Refrigeração Comercial em supermercados”, elaborada pelo Professor Linzmayer em 2010, um dos principais objetivos é, ao estudar os vazamentos de fluidos refrigerantes, registrar e pontuar todas as suas ocorrências, a fim de identificar os principais pontos de vazamento e quantificar a recarga anual de refrigerantes.

Para alcançar essas informações, foram pesquisados 214 supermercados dentro do período de 40 meses. A ideia foi avaliar os tipos de sistemas frigoríficos e suas respectivas cargas térmicas, chegando assim aos seguintes resultados, resumidamente:

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  • As 22 piores unidades (10%) registraram recarga anual média de incríveis 137%, enquanto as 22 melhores unidades apresentaram um percentual de 4%
  • Excluindo as melhores e piores unidades, a recarga anual média foi de 39% sendo que, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, os países desenvolvidos possuem uma recarga anual média de 15% – e para instalações com menos de 10 anos essa média cai para 3 a 5%. Bastante diferença, não é mesmo?

Sem falar que, somando os gastos, no total dessas 214 lojas nos últimos 3 anos foram consumidas 202 toneladas de fluido refrigerante – o que equivale a R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais!)

Dentro da respectiva pesquisa, 45 lojas (21%) representam 50% dos gastos – ou seja, metade de todo esse dinheiro. Imagine só o prejuízo!

 

Principais Pontos de Vazamento encontrados pelo estudo 1

Dentre os maiores locais de fuga dos fluidos detectados pela pesquisa de Linzmayer estão:

  • Porcas
  • Flanges
  • Evaporadores – mas esses não representam as maiores cargas de perdas de fluidos refrigerantes por estarem nas linhas de baixa pressão.

Cabe ressaltar a exceção em unidades condensadoras de sistemas pequenos, onde qualquer vazamento compromete toda a carga de refrigerante. As maiores recargas de fluidos ocorrem justamente pela incidência de vazamentos no condensador, por estarem na linha de alta pressão e mudar o fluido de vapor para líquido.

Entre os piores resultados produzidos pela pesquisa pode-se salientar ainda a observação de compressores abertos, encontrados em instalações antigas, com a maior parte dos vazamentos em seus selos mecânicos, ocasionado pelo desalinhamento entre polias e folga nas correias.

 

Descrição do estudo 2 – objetivos e resultados

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Agora vamos ao estudo “An investigation of refrigerant leakage in commercial refrigeration” (“Uma investigação sobre vazamento de fluidos em Refrigeração Comercial”, tradução livre), dos autores Christina Francis, Graeme Maidment e Gareth Davies para o International Journal of Refrigeration, publicado em 2016.

Antes mesmo de se aprofundarem na pesquisa em questão, o grupo cita outros trabalhos acadêmicos que identificaram os outros tipos de vazamentos comuns, sendo eles: flange, anel de vedação, válvulas, vibrações e outros pontos de conexão. Aliás, esses pontos também aparecem em outro estudo alemão que analisou 104 vazamentos 86 deles foram ocasionados pelos pontos de conexão.

E para complementar, uma revisão desse mesmo estudo mostrou que 22% de todos os vazamentos mensurados encontravam-se em flanges e eram responsáveis por 50% de todas as perdas de fluido.

Indo agora para a pesquisa da equipe de especialistas citados acima, foram analisados 1464 registros de manutenção em sistemas de refrigeração de duas das maiores redes de supermercados do Reino Unido. A partir disso, vale ressaltar alguns dados do resultado:

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  • Para as duas companhias em análise, foram estimadas a adição de 36 mil kg de fluido refrigerante, sendo a maior parte desse número (82%) os fluidos R134a e R404A.
  • Aproximadamente 31% dos relatórios não apresentaram conclusões, pois faltaram informações fundamentais sobre os vazamentos.
  • Nenhum vazamento foi encontrado em 17% dos casos. De qualquer forma, a recarga de gás foi realizada sem nenhuma explicação, contabilizando 10% do total da massa de refrigerante adicionada.

Se compararmos os dois estudos genericamente, já podemos notar que os índices de recarga de gás são visivelmente inferiores nas redes de supermercado do Reino Unido. Observações como essa mostram como os brasileiros gastam mais com manutenção corretiva do que os europeus. Vamos apostar mais nas Boas Práticas para economizar?

Veja a seguir os pontos de fuga mais comuns identificados pelo estudo acima.

 

Principais Pontos de Vazamento encontrados pelo estudo 2

Considerando que a pesquisa em questão observou os vazamentos de duas grandes companhias, vale fazermos uma comparação entre as frequências dos tipos de falhas, veja abaixo:

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pontos-de-vazamento-fuga-fluido=2

 

Os gráficos indicam que ambas as empresas registraram os mesmos principais pontos de vazamentos de fluido refrigerante nos sistemas, ou seja:

  • Tubulação ou conexão
  • Vedação
  • Rupturas ou rachaduras
  • Componente mecânico
  • Flange
  • Monitores e controladoras
  • Outros / Não citado

Nos maiores pontos de incidente – falha na tubulação ou conexão – as informações como localização exata ou especificação de tipo de dano reparado não foram mencionadas.

Esses pontos representam uma média geral de 27% dos dados analisados (29,7% da companhia A e 23,5% da companhia B), e essa combinação é responsável por mais de 53% da massa total de refrigerante adicionada em ambas as empresas!

Se excluirmos a categoria ”Não citado”, e fazer a comparação entre as falhas identificadas, as duas maiores categorias são responsáveis por 66% de todos os reparos, isto é, “Tubulação e conexão” a 37% e “Vedação” a 29%, totalizando mais de 73% de massa a ser acrescentada.

Apesar disso, a contribuição dessa categoria (Não citado), que representa 27% do total, deve ser considerada, pois mesmo não citando o problema específico representa um percentual extremamente significativo no valor total.

Desse modo, com grande parte dos vazamentos não tendo sido identificados, mesmo ocorrendo a carga de fluido, estima-se que tais incidentes podem não ter sido corrigidos.

 

Onde ocorrem os vazamentos e por que? – Relação entre os estudos

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Após você entender melhor sobre cada estudo, fica claro que ambos se relacionam e revelam pontos de vazamento em comum nos sistemas de refrigeração comerciais. Tanto no estudo 1 quanto no estudo 2, as localizações com maiores incidência de fuga de fluidos são as tubulações e pontos de conexão, acompanhadas de porcas e flanges.

Os pontos de vedação também estão nas maiores falhas que comprometem a distribuição dos fluidos, ocasionando os prejuízos que listamos acima.

Grande parte desses problemas são gerados por falta de manutenção preventiva, resultando em um gasto maior em energia e principalmente de dinheiro. Mas você sabia que existem produtos desenvolvidos especialmente para solucionar essas falhas?

 

Métodos eficazes da K11 contra os vazamentos de fluidos refrigerantes

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A melhor forma de corrigir esse tipo de falha é investindo na aplicação de produtos qualificados.

A K11 oferece uma linha completa de detecção de furos e vazamentos. Entre eles estão os CONTRASTES FLUORESCENTE SPECTROLINE®, que é a forma mais rápida e rentável de identificar esses vazamentos, confirmar as reparações e garantir a manutenção e bom desempenho dos equipamentos.

Assim você nunca irá precisar purgar o contraste, já que eles podem ficar em segurança no sistema, trabalhando para encontrar qualquer vazamento que esteja por vir.

Outra excelente solução para completar o time é o K11 NYLOG, um selante para borracha de vedação e rosca. Ele é um fluido elástico a base de óleo sintético de alta qualidade como os utilizados em compressores, sendo 100% miscível e compatível com qualquer fluido refrigerante e óleo lubrificante do sistema. Ou seja, é o selante externo “amigão” do instalador.

Agora, se o seu problema for microvazamentos, lembre-se do TAPA FUGAS K11, famoso por eliminar esses escapes menores e assim combater a fuga dos fluidos.

Ele é compatível com diferentes tipos de refrigerantes e lubrificantes e funciona em qualquer parte do sistema de refrigeração, como compressores, evaporadores, condensadores, tubos de cobre ou alumínio, soldas, flanges e mangueiras, selando o local de forma permanente.