Blog

Ar-condicionado dos ônibus é vetor para o coronavírus

A melhor opção para veículos com grande circulação e aglomeração de pessoas é manter as janelas abertas.

Numa condição diferente das tecnologias modernas embarcadas em metrôs, aeronaves e trens, os ônibus com ar-condicionado são grandes vetores de disseminação da Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus, o Sars-Cov-2. O fato de não ter capacidade de filtragem e retenção de nanopartículas, como os vírus, faz com que esse sistema distribua os microrganismos de maneira permanente sobre os passageiros, proporcionando um contágio em massa e permanente.

As janelas dos ônibus que dispõem de ar-condicionado são lacradas e a micro-atmosfera interna é mantida na temperatura estabelecida pelo equipamento na reutilização do ar já resfriado, potencializando assim a manutenção da temperatura sem trocar os gases com o meio ambiente externo.

Por decisão do governador João Dória (PSDB), desde o ano passado os veículos das frotas que atendem às principais regiões do Estado estão sendo trocados e se tornou obrigatória a presença do sistema de refrigeração de ar. Segundo informações do próprio governo e da prefeitura da capital paulistana, epicentro da pandemia no Brasil, mais de 6 mil ônibus circulam com o equipamento desde dezembro de 2019.

Estudo chinês

O debate sobre se o vírus que causa a Covid-19 poderia ser transmitido via ar-condicionado começou com a divulgação antecipada de um estudo chinês publicado na revista Emerging Infectious Diseases, divulgado no site dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Entretanto, o caso não foi específico sobre os efeitos do ar-condicionado em transporte público, que ainda não é alvo de estudos científicos e publicações. Apesar de provavelmente estar no cerne da questão.

Os cientistas analisaram um surto da Covid-19 entre três famílias que almoçaram em um restaurante da cidade de Guangzhou, na China, em 23 de janeiro deste ano. A provável fonte do vírus era uma mulher de 63 anos que não apresentava sintomas na época. Ela e sua família viajaram de Wuhan para Guangzhou e sentaram-se no estabelecimento. Outras nove pessoas ficaram doentes. Elas estavam sentadas em duas mesas próximas, mas dentro de uma distância considerada segura para não sofrerem o contágio.

O local não tinha janelas e sua climatização era feita artificialmente, reutilizando o ar interno. Os pesquisadores concluíram que o ar-condicionado soprou as gotículas da mulher contaminada mais longe, pulverizando o vírus sobre as demais pessoas.

A importância do fluxo do ar-condicionado na contaminação desses 10 pacientes em Guangzhou também foi pesquisada e apresentada em outro estudo recente, dessa vez por pesquisadores da Universidade de Hong Kong, em colaboração com especialistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Guangdong. Em ambos os casos foi confirmada a influência direta do ar-condicionado na propagação do vírus.

Rota do contágio

Uma das grandes evidências de que o ar-condicionado nos transportes públicos coletivos tem sido fundamental na disseminação do vírus vem dos Estados Unidos. Em pouquíssimo tempo tanto a costa leste como a oeste estavam com milhares de infectados e o número também aumentava na região central do país. Por lá também se levantou a suspeita do contágio se expandir em razão do equipamento utilizado em praticamente todos os coletivos, o que causou reação na Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar-Condicionado (ASHRAE).

Em 14 de abril, o Conselho de Administração da ASHRAE aprovou o novo Documento de Posição da ASHRAE sobre Aerossóis Infecciosos, que substitui antigas determinações e estabelece que: “instalações de todos os tipos devem seguir, no mínimo, os mais recentes padrões e diretrizes publicados e boas práticas de engenharia. Com base nas avaliações de risco ou nos requisitos do projeto do proprietário, os projetistas de instalações novas e existentes podem ir além dos requisitos mínimos desses padrões”.

Embora o foco das atenções até o momento na força-tarefa da associação tenha sido em grande parte para os sistemas fixos, como os usados em casas e grandes edifícios, suas pesquisas ainda são inconclusivas: “O que conseguimos aprender até agora é que não há evidências de que o ar contaminado retirado de um espaço e colocado através de um sistema de ar-condicionado em outro espaço cause infecções”, disse Bill Bahnfleth, professor de engenharia arquitetônica da Universidade Estadual da Pensilvânia. Ele também é presidente da equipe de estudos da ASHRAE. Os EUA continuam liderando mundialmente o número de contágios e de mortes pela Covid-19.

Mapas coincidem

Pelo visto, os efeitos do novo padrão dos equipamentos pouco colaboraram para evitar o contágio em massa. Principalmente quanto ao ar-condicionado empregado nos ônibus intermunicipais e estaduais. Basta sobrepor o mapa da contaminação nos Estados Unidos do painel da Covid-19 do Centro Johns Hopkins de Ciência e Engenharia de Sistemas, da Universidade Johns Hopkins (ver imagem no alto desta página), aos mapas rodoviários do país e das rotas dos ônibus. O resultado na costa leste, que detém o maior volume de estradas, até a costa oeste, e os pontos de entroncamento na região central, casam perfeitamente com expansão amplificada do vírus.

Quando o caso é transferido ao Brasil, as controvérsias aumentam numa proporção semelhante ao número de infectados pelo novo coronavírus. O presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Pedro Moro, em uma live no último dia 25, transmitida pelos sites integrantes dos ‘Portais da Mobilidade’, surpreendeu com uma afirmativa hoje sem referência científica e, no mínimo, um tanto na contramão do que é apresentado por quem pesquisa o assunto.

“Os trens com as janelas lacradas têm ar-condicionado, que possuem diversos filtros muito mais eficientes na renovação do ar do que a janela aberta, uma vez que o vírus pode se espalhar de uma maneira mais fácil com a circulação do ar livre. O ar-condicionado com os filtros ajuda a situação do ar de uma maneira mais eficaz”, alegou Moro. Sua afirmação estaria amparada nos protocolos determinados pelo Comitê de Prevenção ao Coronavírus do governo paulista.

Portugal e Florianópolis: janelas abertas

Entre os países mais bem-sucedidos no mundo contra a Covid-19, destaca-se Portugal. Por lá, a Direção-Geral da Saúde (DGS) dedicou alguns parágrafos do seu guia “Medidas gerais de prevenção e controlo da Covid-19” aos sistemas de ventilação e ar-condicionado. Em espaços fechados, as autoridades de saúde dizem que se deve abrir as portas ou janelas para manter o ambiente limpo, seco e bem ventilado: “mantenha os locais ventilados (pelo menos, seis renovações de ar por hora), abrindo janelas e/ou portas”, aconselha a entidade sanitária portuguesa.

A DGS diz ainda, destaca o jornal português Público, que o ar necessita ser retirado diretamente do exterior e que a função de recirculação do ar não pode ser ativada. Além disso, esses aparelhos devem ser sujeitos, de forma periódica, a limpeza e desinfecção e é recomendado desligar a função de desumidificação.

Em meados de março, a prefeitura de Florianópolis (SC), que recentemente completou um mês sem mortes pela Covid-19, determinou a retirada do lacramento das janelas dos ônibus e abertura de espaços para ventilação natural em mais de 580 veículos.

ANTT recomenda

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), seguindo as determinações da Organização Mundial de Saúde (OMS), também se manifestou em meados de abril. Num material distribuído à imprensa, “Como evitar o contágio e a transmissão do coronavírus” , a entidade trilhou os caminhos da correlata portuguesa. No item “Recomendações para as empresas”, estabelece: “ Mantenha o interior do veículo bem ventilado, preferencialmente com ventilação natural”. E ainda reforça. “Outras medidas de higienização devem ser realizadas, em especial a do sistema de ar-condicionado do veículo”.

O procedimento tem apoio de Francieli Fontana, coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações, que, em vídeo do Ministério da Saúde, explica que ambientes fechados ajudam a transmitir vírus como o Sars-Cov-2. Segundo ela, o ar-condicionado é um sistema de ventilação artificial, então, ele não faz a renovação do ar ambiente. “E com a presença de muitas pessoas nesse mesmo ambiente, pode haver uma maior transmissão desses microrganismos. Quanto mais nós tivermos ventilação natural, mais se reduz a possibilidade de transmissão de doenças causadas por vírus e bactérias”, salientou.

Sem estudos mais aprofundados e se vendo no olho do furacão, os infectologistas são ainda muito conservadores quando a disseminação do virus. A médica Talita Cordeschi, gestora do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica, comentou que sobre a ação do ar-condicionado são ainda necessários mais estudos para apontar os riscos de contágio. Neste momento, a forma mais eficaz e segura de manter a população protegida é seguir as recomendações das autoridades de saúde.

‘Não há estudos’

Em nota publicada em seu site, a Associação Brasileira de Ar-Condicionado, Refrigeração, Ventilação e Aquecimento (Abrava) informou recentemente que o vírus se propaga pelo ar por meio de gotículas suspensas no ar. Assim, ambientes sem climatização, sem ventilação, ou mesmo sem manutenção adequada dos equipamentos são fatores insalubres, são prejudiciais à saúde e improdutivos.

“Intensificar serviços de manutenção preventiva conforme indicado no PMOC – Plano de Operação, Manutenção e Controle é uma das ações que visa garantir a segurança das pessoas. Em 2018, foi aprovada a Lei 13.589 referente ao PMOC do ar-condicionado que apresenta parâmetros para a Qualidade do Ar, determinados pela Resolução do Ministério da Saúde – ANVISA, a RE-09/2003, que apresenta os níveis máximos de concentração dos poluentes mais conhecidos e de fácil detecção, entre eles, o índice de CO2 e quantidade de fungos”, explicou a associação.

No entanto, a própria nota da entidade põe em dúvida a eficácia dos equipamentos para evitar a contaminação: “A resolução também apresenta os níveis aceitáveis de temperatura, umidade, velocidade do ar e fator de renovação. Entretanto, não há estudos ou evidências científicas de que estas medidas sejam suficientes para conter ou minimizar os efeitos da pandemia”, destacou.

A Abrava foi contatada por diversas vezes pela reportagem para maiores detalhes sobre sua posição quanto a possível ineficiência dos filtros de ar-condicionado, mas não respondeu.

Tamanho faz diferença

Segundo os pesquisadores Paulo Roberto Soares Stephens, Maria Beatriz Siqueira Campos de Oliveira, Flávia Coelho Ribeiro e Leila Abboud Dias Carneiro, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), algumas propriedades distinguem os vírus de outros microrganismos: “A primeira está relacionada ao seu tamanho, o qual pode variar de 10 nm a 300 nm [nanômetros]. Dessa forma, são considerados os menores microrganismos existentes, podendo ser visualizados apenas através da microscopia eletrônica”, observam.

O estudo salienta que para fins de comparação, as bactérias e as hemácias possuem, em média, de 10 a 15 vezes o tamanho dos vírus, o que possibilita identificá-los por meio do microscópio óptico. Já no caso dos vírus é necessária a aplicação da microscopia eletrônica, de alta capacidade de resolução.

O professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física (IF) da USP, um dos responsáveis pelo projeto Respire!, do InovaUSP, explica que o vírus da Covid-19 tem em média 120 nm de tamanho (1 nanômetro é 1 bilionésimo de 1 metro). O programa da USP estuda qual tipo de tecido e de textura é capaz de criar barreiras para o vírus. Algo praticamente impossível de ser detido nos filtros convencionais utilizados em condicionadores de ar, por exemplo.

Exigência para aeronaves

Um dos dispositivos eficientes no recondicionamento do ar são os filtros HEPA (High Efficiency Particulate Arrestance), recomendados para evitar a propagação de bactérias e vírus através do ar e, portanto, de infecções. Eles são usados em aviões modernos e removem pelo menos 99,97% das partículas em suspensão de 0,3 mícron de diâmetro.

Isso equivale a 300 nm, o tamanho do vírus varia de 10 nm a 300 nm, sendo em média 120 nm o tamanho do novo coronavirus. Dessa forma, esses filtros estão no limite de passagem do vírus. Tais filtros são formados por uma malha de fibras dispostas aleatoriamente. As fibras são compostas de fibra de vidro, com diâmetros entre 0,5 e 2 µm. No entanto, esse grau de eficiência é exigido para o ar-condicionado de aeronaves e não para o transporte terrestre, segundo o engenheiro Flávio Gottardo de Oliveira, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), consultor na área de sistemas de aviônica e um dos pioneiros em telemedicina no país, que pesquisou sobre o assunto.

“Ao contrário dos filtros de membrana, em que partículas com a mesma largura da distância entre as fibras, os filtros HEPA são projetados para reter contaminantes e partículas muito menores. Os sistemas de filtro HEPA com fins médicos também incorporam sistemas de luz ultravioleta de alta energia para eliminar bactérias e vírus vivos aprisionados pelo elemento filtrante”, observou o engenheiro.

Para Gottardo, no caso dos ônibus a especificação técnica original não seria tão rigorosa: “Mas diante desta situação de pandemia, me parece interessante que seja feito um estudo para adoção destes filtros HEPA, combinados com sistemas de irradiação ultravioleta. Esta adaptação deve ser cuidadosamente estudada e avaliada. Isso toma tempo, e a viabilidade de custos deve ser verificada, assim como a logística”. Os filtros atingem uma eficiência que pode alcançar até 99% do extermínio de microrganismos, inclusive vírus.

O Brasil dispõe de fabricantes desse tipo de elemento filtrante. Para o engenheiro, essa é uma oportunidade para a universidade trabalhar em elementos filtrantes de alta resolução”. Mas faz uma ressalva: “De fato, esta situação trouxe uma condição de vida inesperada. Requer providências imediatas para evitar a reciclagem do vírus em ambiente fechado e providências de prazo maior para rever tais sistema, diante de novos requisitos”.

Novos ônibus em SP

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Mobilidade e Transportes e da SPTrans, informa que, desde o início de 2017, a capital já recebeu mais de 4.800 ônibus novos. O número representa a renovação de mais de 34% da frota que circula na cidade, que é de aproximadamente 14 mil ônibus. Do total de veículos novos, cerca de 3,6 mil foram entregues nos últimos dois anos.

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos, por meio da EMTU/SP, determinou que, em 2020, as concessionárias do sistema intermunicipal na Região Metropolitana de São Paulo incluam 561 veículos novos com ar-condicionado em substituição aos ônibus que completarão dez anos de uso.

A exigência do ar-condicionado faz parte de aditivo contratual firmado com as empresas operadoras das quatro áreas de concessão, composta por toda a grande SP e o Alto Tietê, e mais a METRA – Sistema Metropolitano de Transporte, que opera as linhas do Corredor Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema (ABD).

O corredor ABD liga São Mateus, na zona leste da capital paulista, ao bairro de Jabaquara, na zona Sul de São Paulo, pelos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema, com extensão para a região da Avenida Luiz Carlos Berrini (na zona Sul de São Paulo) e o município de Mauá, no ABC Paulista. A região se encontra entre as maiores concentrações de casos da Covid-19.

Ventilação natural priorizada

Com o relaxamento da quarentena, promovido pela capital paulista e por grande parte das cidades no seu entorno, a previsão é que haja um aumento considerável no transporte de passageiros, principalmente nos corredores servidos por ônibus com ar-condicionado. Nem a prefeitura paulistana nem o governo estadual tem estudos que mostrem o impacto desses sistemas de refrigeração junto à disseminação do coronavírus.

No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversas outras autoridades sanitárias pedem que a ventilação natural seja priorizada em qualquer circunstância, principalmente em situação com grande aglomeração de pessoas. No mesmo alerta, é salientado que sem o cumprimento dessas determinações para o transporte de pessoas – além do distanciamento e uso de máscaras e higienização pessoal e dos locais com produtos adequados –, são grandes as possibilidades de um novo pico de contágio na pandemia.

O que dizem a Prefeitura e o Estado

Direto da Ciência contatou as assessorias de imprensa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da Secretaria de Transporte Metropolitano do Estado de São Paulo para as instituições se posicionarem sobre a alegada eficiência do ar-condicionado em reter o vírus nos trens e ônibus que servem o transporte público de São Paulo. A solicitação não foi atendida.

Também questionada pela reportagem, a Prefeitura de São Paulo respondeu por meio da empresa São Paulo Transporte S/A (SPTrans). A companhia respondeu que todos os coletivos novos que integram o sistema são equipados com ar-condicionado, conforme exigência da Portaria SMT.GAB n° 009/2015. Esses ônibus também seguem as normas da ABNT NBR 15570 sobre as especificações técnicas para sua fabricação.

Segundo a SPTrans, o sistema de ar-condicionado conta com dupla filtragem do ar e assegura, a cada três minutos, a troca constante do ar que circula no veículo conforme previsto em norma. E que, além disso, o equipamento passa por higienização periódica em vários componentes internos e nos seus dutos. A SPTrans afirma também que faz diariamente uma inspeção amostral específica com a desmontagem do equipamento de ar-condicionado para verificação do funcionamento, eficiência e limpeza.

No entanto, em nenhum momento, a empresa SPTrans responde se o ar-condicionado dos carros consegue conter o vírus e não colaborar para sua disseminação – que foi a questão inicial enviada por Direto da Ciência.

‘O melhor é abrir a janela’

Alguns fabricantes de ônibus, em defesa do seu produto, têm afirmado que estão alinhados às normas da ABNT para dizer que o seu sistema de ar-condicionado consegue reter o vírus da Covid-19.  Essas normas seriam as ABNT NBR 16401 e ABNT NBR 16101.

Direto da Ciência consultou o engenheiro mecânico Osvaldo Siqueira Bueno, gestor do Comitê Brasileiro de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento da ABNT, consultor da Abrava e professor do curso de pós-graduação da FEI University Center em refrigeração e condicionamento de ar. Ele afirmou que o aparelho de ar-condicionado convencional, adotado em escritórios e dentro do transporte coletivo, quando em perfeito estado de manutenção, é capaz de reter somente 40% das partículas que circulam pelo ar. Ou seja, 60% dos materiais em suspensão passam pelo sistema convencional.

Para o especialista, a melhor opção para livrar o ambiente de agentes infecciosos é simples: “Basta manter as janelas abertas, principalmente em veículos em que há grande circulação e aglomeração de pessoas, como no caso de trens e ônibus”, reforçando as orientações das entidades de pesquisa e da OMS.

“Se eu fecho o ônibus inteiro e coloco um monte de gente lá dentro, sem um aparelho com a devida manutenção, ela acumula e distribui doenças com o passar do tempo. Isso é inevitável. O único sistema confiável é o hospitalar, amparado pela norma ABNT 7256. O fluxo unidirecional com filtro absoluto é o único capaz de conter o coronavírus”, concluiu Bueno.

Matéria original: http://www.diretodaciencia.com/2020/06/10/ar-condicionado-dos-onibus-e-vetor-para-o-coronavirus/

por: JÚLIO OTTOBONI

Colaborou Walter Fiuza