O custo da qualidade do ar de interiores

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Por Henrique Cury*

 

Um dos grandes temas discutidos mundialmente por profissionais ligados à sustentabilidade e ao segmento de ar condicionado é o custo que uma má qualidade do ar pode impactar em um edifício. Este, aliás, é um dos principais assuntos que insistentemente buscamos esclarecer durante nossas reuniões no Qualindoor – Departamento Nacional de Qualidade de Ar de Interiores da Abrava.

O primeiro estudo acadêmico que consegue nortear a questão veio da universidade americana Carnegie Melon, em 2009. Esse estudo, focado no absenteísmo, mostrou que os americanos faltam em média 2,2% de dias úteis ao ano em empresas públicas e 1,1% em empresas privadas devido exclusivamente a doenças contraídas dentro de ambientes, o que ocasionam custos entre US$ 1.500,00 e US$ 2.000,00 por anos por funcionário.

O mais recente e impactante estudo veio da universidade de Harvard publicado em outubro de 2016 e discutido durante o seminário internacional de sustentabilidade promovido pelo USGBC – United States Green Building Council – na cidade de Los Angeles (EUA). Nesse estudo demonstra-se que 90% dos custos de um edifício são de salários e custos inerentes às pessoas que o habitam, enquanto apenas 10% se referem a gastos energéticos, manutenção, aluguéis e afins. Isso veio de encontro com a guinada de visão dada pelo próprio USGBC, que através da nova certificação WELL busca muito mais o bem-estar dos habitantes de um edifício em detrimento de outros custos não menos importantes, mas com menos impacto nos resultados. Essa visão centrada no ser humano já era compartilhada pela certificação francesa AQUA. O estudo ainda demonstra que uma qualidade do ar adequada pode gerar ganhos de US$ 6.500,00 por pessoa por ano devido ao aumento de produtividade.

A qualidade do ar impacta diretamente no absenteísmo e no aumento da produtividade, dois fatores intrínsecos às pessoas que ocupam os edifícios. Como por exemplo, hoje, existem tecnologias e procedimentos para a redução de particulado durante a construção. A melhor qualidade do ar em canteiros implica diretamente na melhor performance de colaboradores, além de evitar faltas laborais gerando custos menores.

Além disso, com a mova revisão da NBR 16401 poderemos ter a captação de ar externo reduzida se tratarmos o ar de maneira adequada com tecnologias de ponta, além de monitorar os principais parâmetros. Isso implicará diretamente nos custos energéticos com a manutenção de uma boa qualidade do ar, trazendo melhores condições aos usuários, vindo de encontro aos resultados apresentados pelo estudo de Harvard.

Cada vem mais a qualidade do ar de interiores traz o bem-estar dos habitantes dos edifícios ao centro do debate e, amparados pelos estudos atuais que demonstram o impacto disto nos custos, sabemos da importância da nossa missão em esclarecer e divulgar estes importantes dados, melhorando a receita das empresas e trazendo melhor qualidade de vida aos usuários.


* Editorial da edição de maio de 2017 da revista Abrava + Climatização & Refrigeração, assinado pelo ex-presidente do Departamento Nacional de Qualidade de Ar de Interiores da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento

Foto: Nova Técnica Editorial



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